Por que mulheres bem-sucedidas sofrem 3 vezes mais com ansiedade?

mulheres bem-sucedidas

Olá, sou Patricia Silva, psicóloga especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), e quero conversar diretamente com você, mulher de alta performance — seja executiva, empreendedora ou profissional em busca de prosperidade e equilíbrio. Muitas vezes, por trás de sorrisos confiantes e agendas repletas de conquistas, esconde-se um inimigo silencioso: a ansiedade. Já se perguntou por que nós, mulheres bem-sucedidas, somos até três vezes mais propensas a desenvolver ansiedade do que os homens?

Neste artigo, quero construir, junto com você, uma ponte entre a ciência, a experiência clínica e a vida real. Trago dados, relatos e estratégias práticas para que você entenda esse cenário e saiba que é possível transformar pressão em autocuidado e ansiedade em autocompaixão.

1. Entendendo a ansiedade: estatísticas e impacto nas mulheres

Ansiedade não é “frescura” nem fraqueza. É o quadro de saúde mental mais prevalente no mundo, atingindo cerca de 301 milhões de pessoas em 2019, segundo a Organização Mundial da Saúde. E existe um recorte de gênero importante: mulheres são praticamente o dobro dos homens quando falamos de diagnósticos de transtornos ansiosos.

Estudos revelam que 23,4% das mulheres apresentam algum transtorno de ansiedade no último ano, frente a 14,3% dos homens. Ao longo da vida, esse número aumenta: uma em cada três mulheres enfrentará ansiedade clínica, contra apenas um em cada cinco homens. E os relatos de altos níveis de ansiedade estão crescendo: em 2022/23, 37,1% das mulheres relataram alto grau de ansiedade, enquanto entre os homens foram 29,9%.

“A ansiedade nas mulheres é mais prevalente e, muitas vezes, mais incapacitante quando comparada à dos homens.”

2. Por que sofremos mais? Pressões culturais, sociais e históricas

A resposta vai muito além do “é do perfil feminino”. Em consultório, vejo lindas trajetórias de mulheres que mal percebem o peso que carregam. O que a literatura científica aponta?

  • Papéis múltiplos e sobrecarga: Espera-se que sejamos excelentes profissionais, companheiras, mães e filhas cuidadoras. Essa exigência (auto e social) cria um ciclo de nunca “dar conta de tudo”.
  • Perfeccionismo: A busca incessante por padrão altíssimo (quase inatingível) leva à autocrítica constante, sensação de insuficiência, medo de falhar e autossabotagem.
  • Síndrome da impostora: Até 70% das mulheres em cargos de liderança já sentiram-se uma fraude no trabalho, mesmo diante de conquistas reais. Mais de metade das mulheres adultas já vivenciou imposter syndrome em algum momento de suas carreiras, e isso costuma ser mais intenso quanto mais avançamos profissionalmente. Esse sentimento rouba nossa paz mental e fica mais forte diante de desafios e promoções.
  • Pressão para sustentar a “imagem de sucesso”: Em um mundo conectado, somos constantemente bombardeadas por comparações e expectativas irreais, sobretudo via redes sociais. O impacto disso é o agravamento da ansiedade, especialmente entre jovens adultas.
  • Dificuldade em buscar ajuda: Muitas sentem vergonha, medo de julgamento ou receio de serem vistas como “fracas” ao admitirem vulnerabilidade, especialmente quando estão em ambientes predominantemente masculinos ou competitivos.

Esses fatores criam, a longo prazo, um solo fértil para a ansiedade crescer e se multiplicar.

3. Sintomas e armadilhas da ansiedade em mulheres de alta performance

A ansiedade nem sempre aparece em crises óbvias de pânico. Muitas vezes, ela tem um “rosto” elegante, eficiente e incansável, mas que sofre em silêncio.

Os sintomas mais frequentes:

  • Preocupação excessiva, antecipando problemas em casa e no trabalho
  • Autocrítica e dificuldade em reconhecer conquistas
  • Procrastinação ou hiperprodutividade (os dois extremos podem ser pistas)
  • Dificuldade para relaxar, desligar-se do papel profissional
  • Insônia, cansaço constante, dores musculares, problemas gastrointestinais
  • Sensação permanente de que “não sou boa o bastante” ou “em breve irão perceber que sou uma fraude” (síndrome da impostora)
  • Perfeccionismo impeditivo: revisar infinitamente e nunca se sentir pronta

4. O ciclo da alta exigência e o medo de falhar

Ao atender profissionais como você, consigo traçar padrões. Um deles é o chamado “perfeccionismo autopunitivo”: mulheres altamente capazes sentem-se sempre aquém, tentam compensar com jornadas ainda mais intensas, esgotam sua energia, e mesmo assim continuam se culpando.

A síndrome da impostora — sentimento de que não merece o próprio sucesso — está profundamente ligada a esse ciclo. Estudos mostram que mulheres de alta performance compartilham:

  • Medo intenso de não corresponder às expectativas de pares e superiores
  • Dificuldade em aceitar elogios ou reconhecer o próprio valor
  • Sensação de isolamento (“só eu me sinto assim?”)
  • Insegurança ao se comparar constantemente com outras mulheres ou figuras públicas

Não é coincidência: ambientes competitivos, associadas à cobrança social de excelência, colaboram para um estado de alerta constante, típico dos quadros ansiosos.

5. Dados e causas: o que diz a ciência

  • A prevalência é real: Mulheres são entre 1,7 a 2 vezes mais propensas a desenvolverem transtornos de ansiedade que os homens, tanto ao longo da vida quanto nos últimos 12 meses.
  • A incidência cresce com o nível de responsabilidade: Quanto mais altos os cargos, mais frequente o sentimento de inadequação.
  • Impostora, perfeccionista e ansiosa: Pesquisas revelam que cerca de 70% das mulheres líderes já sentiram a síndrome da impostora e que esse fenômeno anda de mãos dadas com o perfeccionismo.
Fator de RiscoDados/Citações
Transtorno de ansiedade23,4% mulheres x 14,3% homens/ano
Síndrome da impostora70% das mulheres em cargos de liderança
PerfeccionismoForte ligação com ansiedade e síndrome da impostora
Relato de ansiedade alta37,1% mulheres x 29,9% homens (2022/23)

6. A contribuição da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

A boa notícia é que existe tratamento eficaz. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é reconhecida mundialmente como padrão ouro no manejo da ansiedade, inclusive em ambientes de alta performance.

Como a TCC pode ajudar:

  • Identificação e reestruturação de pensamentos: Trabalhamos para reconhecer padrões de pensamento distorcidos (“preciso ser perfeita ou serei demitida”; “não mereço estar aqui”), substituindo-os por interpretações mais realistas e compassivas.
  • Exposição graduada e manejo de emoções: Auxiliamos na tolerância à imperfeição e redução do medo da crítica.
  • Técnicas práticas de autorregulação: Exercícios de respiração, relaxamento, mindfulness e autocompaixão, integrados à rotina de mulheres atarefadas.
  • Desenvolvimento de autoconfiança: Vamos além do “você consegue!”, incentivando estratégias de enfrentamento, validação de conquistas e novas formas de se relacionar com as próprias emoções.

As pesquisas mostram que a TCC produz redução significativa do sofrimento por ansiedade e melhora a qualidade de vida, mesmo em condições clínicas reais, fora do contexto do consultório universitário. Em alguns estudos, até 78% dos pacientes apresentam melhora expressiva após intervenção com TCC.

7. Depoimentos do consultório: a força do cuidado

Muitas vezes, escuto relatos assim:

“Eu precisava me desdobrar para provar meu valor. Não podia errar, nem pedir ajuda. Até que a ansiedade virou um peso impossível de carregar sozinha.”

“Lutei anos com a sensação de estar enganando todo mundo. Achava que era só uma questão de me esforçar mais, mas nunca bastava.”

A beleza do cuidado psicológico está em mostrar que pedir ajuda não é fraqueza — é maturidade emocional. Reconhecer limites é o primeiro passo para conquistar autonomia diante da ansiedade.

8. Estratégias práticas para transformar ansiedade em equilíbrio

A experiência clínica, aliada à pesquisa, mostra que algumas ações são poderosas:

  • Faça pausas reais: Pequenos intervalos de autocuidado ao longo do dia criam resiliência e ajudam a modificar a percepção de “urgência permanente”.
  • Desafie seus pensamentos automáticos: Quando sentir-se uma fraude, observe as evidências reais sobre sua competência. Dialogue com a autocrítica.
  • Delimite seu próprio padrão de sucesso: Revise metas, celebre pequenas conquistas e aceite que errar faz parte da trajetória sustentável.
  • Delegue, compartilhe, conte com apoio: Vulnerabilidade não diminui liderança, mas potencializa a força coletiva.
  • Considere a psicoterapia: Fazer terapia é um ato de coragem e de investimento profundo no seu melhor futuro.

9. Conclusão: não estamos sozinhas

Mulheres que almejam equilíbrio e bem-estar precisam saber: não estão sozinhas, nem desamparadas. A ciência mostra que é possível aliviar a ansiedade, fortalecer a autoconfiança e viver plenamente.

Como psicóloga, testemunho todos os dias mulheres como você superando a vergonha, acolhendo sua história e aprendendo a cuidar de si com a mesma dedicação que oferecem ao mundo.

Se você vive esse contexto, permita-se buscar caminhos de transformação. Acolher sua vulnerabilidade é um gesto revolucionário — e a TCC pode ser um divisor de águas nesse processo.

“Você não precisa enfrentar isso sozinha. O caminho para uma vida mais leve e significativa está ao seu alcance.”

Emtre em contato e agende sua primeira sessão.

Fontes:

  •  McLean et al. (2011). Gender Differences in Anxiety Disorders: Prevalence.
  •  Anxiety and Depression Association of America (ADAA): Women and Anxiety.
  •  Mental Health Foundation UK. Anxiety: statistics.
  •  National Institute of Mental Health (NIMH): Any Anxiety Disorder.
  •  Organização Mundial da Saúde. Anxiety Disorders, 2019.
  •  University of Cambridge, 2016. Women are far more anxious than men.
  •  Colorado Women’s Center. Why High-Achieving Women Experience Anxiety.
  •  PubMed Meta-analysis: CBT for anxiety and related disorders.
  •  Psi Chi Journal, 2024. Undergraduate Imposter Syndrome Rates Between Gender and Field of Study.
  •  Texas Health. How Anxiety Affects Men and Women Differently.
  •  Psychology Today. The Rise of Anxiety Among Women.
  •  Lightwork. 10 Signs of High-Functioning Anxiety in Women.
  •  Journal of Consulting and Clinical Psychology (Meta-analysis TCC, 2021).
  •  The Independent. Women more likely to suffer from imposter syndrome.
  •  Agenda Alliance. Women’s Mental Health Facts.
  •  Demais estudos e levantamentos recentes de grandes centros de saúde mental.

Foto de Psicóloga Patricia Silva

Psicóloga Patricia Silva

Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental

Compartilhe este conteúdo:

Facebook
LinkedIn
WhatsApp
Telegram
Categorias

Dê o Primeiro Passo para Transformar Sua Vida

Não deixe a ansiedade e o estresse limitarem seu potencial. Agende sua consulta hoje mesmo e descubra como a Terapia Cognitivo-Comportamental pode ajudá-lo(a) a alcançar equilíbrio emocional e bem-estar duradouro.

Posts Relacionados